Falando de Psicologia … (26) – Criança e religião.

  Criança e religião

A religião desempenha um papel importante na vida da maior parte das pessoas. Quase todas as crianças, numa cultura como a nossa, são influenciadas (direta ou indiretamente) por práticas, ideias e crenças religiosas, até mesmo quando não recebem instrução religiosa formal. Existem estudos mostrando que a criança é mística, contemplativa e imitativa por natureza. Através da ação imitativa ela vai construindo seu conhecimento. A ação da criança, até os seis anos, tem a sua origem na ação dos adultos com os quais convive, dependendo deles e neles se inspirando. Eles são seus pontos de referência. Assim se estabelece uma relação de confiança, admiração e imitação entre a criança e os adultos de seu relacionamento, o que se evidencia também no tocante ao desenvolvimento e à vivência da fé.

A religião significa coisas diferentes, conforme a idade da criança. Antes dos seis anos as crianças se apegam aos pais por laços de amor, admiração e dependência. Gostam de brincar de casinha fingindo-se de mãe, pai ou filho. Quando vêem um animal, querem logo saber qual é o “pai” e qual é a “mãe”. Assim, as relações de família fornecem a principal estrutura e a primeira noção de conteúdo, em sua vida.

As crianças pequenas recebem o seu conceito de Deus diretamente dos pais. Se eles O concebem de forma muito rigorosa, é assim que Ele será imaginado. Se acreditarem que Ele é bom, da mesma forma pensará o filho. As crianças assimilam que Deus gosta delas e quer que sejam boazinhas. Muitos pais falam de Deus com o intuito de reforçar a sua filosofia de moralidade e disciplina. Portanto, as ideias e imagens religiosas de uma criança são influenciadas por suas experiências da vida cotidiana. A sua concepção dos atributos de um Deus paternal será influenciada, de forma clara ou não, por sua percepção dos atributos de seus próprios pais ou de outras pessoas que desempenham papéis paternais. As experiências concretas, para as crianças mais novas, determinam quais serão suas ideias no plano religioso. Isso mostra a extensão da nossa responsabilidade no que se refere ao desenvolvimento da fé de nossos filhos.

Para ilustrar o quanto a imitação está presente na infância, vou narrar um episódio ocorrido há algum tempo. Durante um encontro de preparação para o batismo, falávamos sobre a importância da oração, na vida de cada um de nós, e de como o exemplo dos adultos é essencial para sensibilizar a criança na sua busca de Deus. Uma jovem senhora, cujo filho seria batizado na semana seguinte, contou-nos algo muito interessante. Seu filhinho, então com oito meses de idade, estava “começando a rezar”, segundo ela. Isso porque o bebê, no colo da mãe, imitava, com a boquinha, os movimentos dos lábios e os sons que ela emitia, toda vez que ficavam diante de seu oratório. Essa jovem, desde que o garotinho nasceu, tinha o costume de levá-lo diante da imagem de Nossa Senhora, e sempre rezava uma Ave Maria, pedindo proteção para o filho. Uns dois meses depois, ele começou a imitá-la de forma bem clara. E mesmo que a mãe ficasse em silêncio, ele murmurava algo, como se estivesse rezando (sempre diante do oratório). Naturalmente, esse bom exemplo da mãe foi reforçado com as devidas explicações no momento oportuno, à medida que a criança foi crescendo.

Muito se poderia dizer sobre a imitação, no processo de aprendizagem, de um modo geral. Aos poucos o indivíduo vai se firmando nas suas atitudes e sua personalidade começa a se fortalecer. Dependendo das vivências familiares, as crianças alcançarão um amadurecimento nas mais diferentes áreas, incluindo a religiosa. E sua atitude crítica mostrará até que ponto seus pais se mostram coerentes naquilo que falam e fazem. Desta experiência depende muito o futuro religioso dos filhos. Portanto, da mesma forma que é necessário se pensar na sua herança material e cultural, não se pode negligenciar seu patrimônio espiritual. Esse cuidado irá refletir no equilíbrio do indivíduo, como um todo.

 

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