Falando de Psicologia … (33) – Projetos afetivos para o Ano Novo.

Projetos afetivos para o Ano Novo

     Todo final de ano – bem como, o início de um novo ano – produzem, em muitos de nós, uma irresistível vontade de reavaliar umas tantas coisas, na vida… E nos relacionamentos acontece o mesmo. Sintetizando um assunto tão amplo, eu diria que há “regrinhas” (ou dicas) preciosas quando se busca um bom entendimento com alguém. Ressalto, logo de início, duas dicas inquestionáveis, quanto ao seu resultado. Sugiro que você:

Reserve tempo: para brincar, com leveza de sentimentos; para ler e escrever; para ouvir e ser ouvido; para rir (pois o riso é a “música da alma”); para chorar junto, se for o caso; para rezar, pois a oração é a melhor forma de nos conectarmos com Deus; para fazer uma boa autocrítica e tentar ser uma pessoa melhor – para si e para os outros; enfim, para amar e ser amado (a)…

Aquiete a mente para ouvir o coração (o próprio, e/ou o do outro…).

As duas recomendações valem para qualquer relacionamento:

  • Pais e filhos (de qualquer idade).
  • Filhos adultos e seus pais idosos.
  • Avós e netos.
  • Marido e mulher.
  • Amigos.
  • Irmãos, primos, sogros, genros, noras etc etc.
  • Professor e aluno.
  • Patrão e funcionário.
  • Homem e Deus.

Vale lembrar que “a ordem dos fatores não altera o produto” e que, de um modo geral, a “recíproca é verdadeira”…

Felizes relacionamentos em 2020 e em cada Ano Novo, para todos nós!!!

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Falando de Psicologia … (32) – Quando a criança é super cuidadosa

Quando a criança é super cuidadosa 

Não é raro encontrarmos crianças que são vistas pelos pais como “exemplares”, no que se refere ao asseio corporal e à conservação de seus objetos. Mesmo quando os pais encontram, na criança, traços de comportamento inadequado (medo, irritabilidade etc.) o fato de ser ela muito cuidadosa é visto como algo bastante positivo. Assim, se a criança mantém em absoluta ordem seus objetos escolares ou conserva suas roupas sempre impecáveis, muitos pais acham até que precisam incentivar tal comportamento.

Do ponto de vista psicológico, nem sempre podemos encarar as coisas dessa maneira. De um modo geral, a criança excessivamente cuidadosa é denominada criança obsessiva.

Vejamos alguns exemplos mais significativos do que seria uma criança obsessiva.

  • Criança que não admite a idéia de usar uma roupa com qualquer defeito, por menor que seja. Ou então, se molha um pouquinho a camisa, não concorda em esperar que seque – quer logo vestir outra.
  • Criança que é escrupulosa demais com tudo o que vai comer. Muitas vezes a criança “cisma” com determinado alimento (frango, por exemplo) e não o come de maneira alguma. Ou então, se encontra fragmentos de algo que ela não goste (cebola ou alho, por exemplo), para de comer na mesma hora. Outras vezes a criança resolve utilizar sempre o mesmo talher, ou o mesmo prato, criando o maior caso se a impedem de usá-los.
  • Criança que mantém seus objetos na mais perfeita ordem. Uma criança assim não admite que alguém mexa em suas coisas. Às vezes deixa de usar um determinado objeto (um brinquedo, ou um lápis, por exemplo), só para não ter de mudá-lo – seja com algum pequeno estrago, seja pelo gasto que advém do uso. Há casos em que a criança nem entra na escola se, ao chegar lá, notar que algum objeto está fora do lugar (dentro da mochila), ou se um determinado estojo ficou em casa.
  • Criança que tem um cuidado excessivo com o asseio corporal. Há crianças que não conseguem ficar com as mãos sujas, nem quando isso se faz necessário. Assim sendo, elas não participam de atividades que impliquem no uso de tintas, argila e outros materiais no gênero. Algumas têm verdadeira repulsa pelo contato com pessoas doentes. E o banho, então, passa a significar algo muito mais importante para elas. 

     Por que certas crianças são obsessivas?

De um modo geral, há duas razões principais para explicar tais atitudes. Ou a criança foi condicionada a isso pelos próprios pais, ou então é portadora de dificuldades emocionais que a levam a agir assim. Portanto, o convívio com pais muito exigentes quanto à ordem, à limpeza e à disciplina pode levar uma criança a se tornar supercuidadosa ou obsessiva.

Da mesma forma, isso pode ser uma decorrência de problemas emocionais. Assim, uma criança muito insegura poderia compensar essa insegurança através de um cuidado excessivo com seus pertences.

Mas, o que fazer, então, para ajudar uma criança obsessiva?

Em primeiro lugar, é preciso observar atentamente o comportamento geral da criança em questão. Ou seja, os pais devem observar alguns pontos muito importantes: se a criança tem se alimentado normalmente, se tem chorado com frequência, se tem dormido menos, se tem tido pesadelos com frequência, se está muito rebelde ou agressiva, se está arredia e tristonha, e assim por diante. Caso estejam presentes alguns desses elementos na conduta da criança, é indispensável que se procure um especialista, seja ele médico ou psicólogo.

De qualquer maneira, é recomendável que os pais façam o possível para tornar mais amena a vida de seus filhos, através de um dia a dia equilibrado e harmonioso.

 

 

 

 

Torta gelada de atum

                            Torta gelada de atum 

  • 1 pão de forma sem as casquinhas (costumo usar o pão de forma sem casquinhas da marca Wickbold, específico para torta fria).

Para o creme: 

  • 1 lata de atum com óleo (para dar mais cremosidade ao creme).
  • 1 lata de creme de leite light (ou comum).
  • 1 vidro (pequeno) de maionese light (ou comum).
  • 2 batatas grandes, descascadas, cozidas e escorridas.
  • 3 cenouras médias, raladas (e refogadas em margarina, com 2 colheres (sopa) de cebola ralada).
  • 1 colher (café) de sal.

Bata tudo no liquidificador. Bata de duas vezes, se achar que está difícil para homogeneizar a mistura.

Montagem 

Num pirex retangular (médio) coloque:

  • Creme.
  • Fatias de pão de forma.
  • Creme.
  • Fatias de pão de forma.
  • Creme.
  • Fatias de pão de forma.
  • Creme.
  • Batata palha extra fina, como cobertura.

Decore a gosto (com azeitona, tomate-cereja, flores comestíveis, folhinhas de manjericão ou de hortelã).

Gelar. A torta fica mais gostosa após gelar por 4 horas, mais ou menos.

Sirva como lanche.

Nota: se a torta não for consumida no mesmo dia, é melhor cobri-la com papel alumínio para evitar que fique com a superfície ressecada.

 

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Falando de Psicologia…(31) – Quando nossos filhos crescem…

Quando nossos filhos crescem… 

Hoje quero falar para os pais cujos filhos estão entrando na adolescência. É interessante observarmos que certas mudanças estão ocorrendo cada vez mais cedo. Por exemplo, meninos e meninas de menos de dez anos já se recusam a andar de mãos dadas com os pais. Em certas ocasiões já não se despedem deles com beijinhos, principalmente se estão perto dos colegas. Quase sempre preferem fazer programas com os amigos, ao invés de sair com os familiares. E os pais se ressentem, sobretudo aqueles mais afetuosos ou mais sensíveis.

Por que ocorrem essas mudanças?

Se pararmos para analisar o momento que estamos vivendo hoje, fica mais fácil entender alguns conflitos presentes em certos lares. A começar pelo acesso à tecnologia eletrônica: o número de crianças e adolescentes que possuem celular e notebook (ou mesmo tablet), é cada vez maior, independente de sua condição socioeconômica. Isso é ótimo, mas ao mesmo tempo pode se tornar prejudicial, na medida em que proporcione uma ideia de autonomia, antes da obtenção do verdadeiro amadurecimento emocional. Por outro lado, muitos adultos e crianças passam o dia todo ocupados com diversas atividades. Quando se encontram, geralmente à noite, estão cansados e sem disposição para o diálogo. O dia termina e vão todos dormir sem buscar um entendimento, sem um entrosamento mais satisfatório. No dia seguinte nova jornada de trabalho ou estudos tem início, onde a falta de tempo para interagir vai se tornando cada vez mais frequente. Meninos e meninas tomam conhecimento de informações nacionais e internacionais, conversam entre si o dia todo (via celular ou internet) e fica parecendo que ter atitude de criança seria algo indesejável até mesmo para quem ainda é, realmente, uma criança. Ou seja, os meninos e meninas têm se mostrado muito precoces, no que se refere às características próprias de quem já entrou na adolescência. Muitas vezes o desenvolvimento físico ainda é o de uma criança, mas os anseios de maior liberdade e as atitudes contestatórias já lembram mais o perfil de um jovem rebelde.

O que fazer, nesses casos?

Bem, por incrível que pareça, as recomendações são velhas conhecidas de todos os pais. Nós, psicólogos, pedimos sempre que se busque o diálogo, onde se acertam possíveis divergências e, principalmente, possíveis desencontros. É muito importante que haja aceitação e muita calma, pois tudo isso vai passar, dando lugar a posturas mais adequadas.

Como sugestões de ordem prática, podemos citar:

  • Encarar as atitudes contraditórias com tranquilidade, sem recriminações que possam provocar sentimentos de culpa no(a) filho(a).
  • Evitar excesso de conselhos, críticas ou “sermões” moralistas.
  • Valorizar o bom comportamento do(a) filho(a) através de elogios e estímulos.
  • Ser firme na colocação de limites, mas sem autoritarismo.
  • Enfim, ser compreensivo e amoroso, entendendo que todo indivíduo precisa encontrar a sua identidade e consequente autonomia.

 

 

Salada de abacate

  Salada de abacate

Ingredientes:

  • Abacate (maduro, mas firme), cortado em cubos médios.
  • Tomate.
  • Pimentão (na cor que quiser – verde, vermelho ou amarelo).
  • Cebola.
  • Cheiros verdes: salsinha, cebolinha e coentro.
  • Temperos: sal, azeite, suco de limão, pimenta do reino, mostarda amarela.

Modo de fazer:

Como num vinagrete, você vai picar em cubinhos: tomate, pimentão e cebola em quantidades iguais, ou na proporção da sua preferência.

Eu pego um tabuleiro e vou colocando o que já piquei, lado a lado, para poder visualizar melhor as porções. Prefiro colocar uma quantidade maior de tomate, pois a cebola tem um sabor mais forte e o pimentão também. Pico, bem miudinho, os cheiros verdes e meço a metade de uma das porções que cortei em cubinhos. Importante: como o coentro tem um sabor muito marcante, uso bem pouco.

Misture tudo e tempere, antes de colocar o abacate, pois do contrário, ele se desfaz, pois é muito macio.

Tempere, aos poucos, com sal, azeite, suco de limão, pimenta do reino e mostarda amarela e vá provando, até ficar a seu gosto.

Por último, adicione o abacate cortado em cubos médios. Misture delicadamente, para que o abacate continue com sua textura e aparência originais, pois a salada fica bem mais bonita e saborosa.

Leve para gelar e sirva como preferir – como entrada ou como acompanhamento, num almoço em família.

Bom apetite!

 

 

 

 

Falando de Psicologia … (30) – Recado a certos pais.

 

Recado a certos pais

      Alguns pais se queixam da não participação do(a) parceiro(a) na educação dos filhos. De um modo geral, são as mães que reclamam da ausência do marido na rotina das crianças. A falta de tempo é o motivo mais alegado por eles, mas tenho observado que existem traços que se repetem na hora de construirmos o perfil destes pais (ou mães, em alguns casos).

Durante uma conversa – em clima de orientação psicológica – verifico que não se trata de falta de amor pelos filhos, ou de falta de compromisso com os mesmos. Algumas pessoas (pais ou mães) sentem grande dificuldade em expressar sentimentos, seja na hora de um diálogo, seja na hora de estabelecer um contato físico com os filhos. Para facilitar o entendimento, vou citar possíveis ocorrências que prejudicam o desenrolar de uma conversa. Por exemplo:

  • Não prestar atenção ao que o(a) filho(a) está falando.
  • Não ouvir “com o coração”. Ou seja, ouvir apenas com o lado racional, sem estar antenado ou sintonizado com os sentimentos e necessidades do(a) filho(a).
  • Adotar uma postura de autoritarismo na hora em que o filho se abre, perdendo uma boa oportunidade de se mostrar mais companheiro(a) do(a) filho(a).
  • Citar exemplos de sua própria infância, como se o(a) filho(a) tivesse que seguir seu modelo.
  • Ouvir com impaciência e de olho no relógio.
  • Aproveitar para “passar um sermão” no(a) filho(a).

Outro ponto comum refere-se à pouca disponibilidade para atender aos anseios do(a) filho(a):

  • Não comparecer aos jogos em que o(a) filho(a) compete, ou a recitais de música (piano, flauta, balé, canto etc).
  • Não levar o(a) filho(a) a festas ou reuniões de grupo promovidas pela escola.
  • Não comparecer às reuniões de pais marcadas pela escola do(a) filho(a).
  • Não ajudar o(a) filho(a) nos trabalhos escolares que demandam a participação dos pais.
  • Não levar o(a) filho(a) a algum tratamento de que necessite (odontológico, médico ou psicológico).

Isso é mais comum entre os filhos de pais separados. Quem fica com a guarda (geralmente a mãe) fica, também, com os deveres, enquanto o outro fica com os momentos de lazer. Também aqui podemos listar alguns traços que caracterizam tais adultos: excesso de envolvimento com o trabalho, tentativa de suprir as necessidades do filho através de dinheiro ou presentes, hábito de transferir para outras pessoas a “tarefa” de conviver com o(a) filho(a) etc. etc.

Diante do que foi exposto, creio que seja fácil fazer uma autoanálise e evitar tudo aquilo que possa prejudicar o bom relacionamento entre pais e filhos.

 

Falando de Psicologia … (29) – Quando uma criança gosta de brincar com fogo (II)

Quando uma criança gosta de brincar com fogo (II) 

      No artigo anterior vimos o que pode levar uma criança a querer brincar com fogo, com destaque para três características básicas: curiosidade, imitação e necessidade de chamar a atenção sobre si. Nesse artigo falarei sobre certas implicações psicológicas e maneiras de ajudar a criança que se sente muito atraída pelo fogo. O essencial, em qualquer situação, é que a criança esteja livre de perigos para os quais ainda não está preparada. Para isso, ela deve contar com a supervisão eficiente de seus pais (ou demais familiares). Porém, não basta evitar os acidentes. Existem casos em que a atração pelo fogo tem um sentido muito mais amplo que o aparente. É preciso observar em que circunstâncias a criança se utiliza do fogo – frequência com que o faz, episódios do dia que estariam relacionados com a ocorrência, quaisquer experiências desagradáveis que ela porventura tenha vivido ( se levou uma surra, se foi severamente criticada, se sofreu humilhações) e assim por diante.

Muitas vezes, a criança apresenta problemas emocionais (leves ou intensos) que dificultam seu controle, mesmo sabendo dos perigos de uma brincadeira com fogo. Assim, uma criança muito rebelde, ou muito agressiva, ou com um forte sentimento de inferioridade, pode ter um impulso de atear fogo bem mais acentuado que o de outras crianças. E nesse caso, o ato de queimar alguma coisa teria um outro significado, bem mais sério (forte impulso destrutivo, necessidade exagerada de chamar atenção, revolta e ressentimentos mais profundos). Geralmente, as crianças que se enquadram nessa categoria apresentam distúrbios de comportamento que os pais podem identificar com relativa facilidade: inapetência, irritabilidade, insônia (ou sono agitado), enurese que se prolonga após os cinco anos, dificuldades no seu relacionamento, além de outros indícios de que algo não vai bem.

Um desses distúrbios (ou mais de um), acrescido de um impulso de atear fogo que não desaparece com as medidas habituais, pode mostrar o quanto uma determinada criança está desajustada. Certamente, uma ajuda especializada se faz necessária.

O que fazer, então, quando a criança insiste em brincar com fogo? 

Proibir, castigar ou fazer ameaças são medidas que muitas pessoas utilizam, mas nem sempre os resultados são satisfatórios. Darei, a seguir, algumas sugestões de ordem prática. Devo esclarecer que vou me basear na opinião de alguns autores e na vivência que tenho tido, ao desempenhar minhas funções de mãe (e avó) e de profissional que sempre lidou com crianças dia após dia, ao longo de muitos anos de formada em Psicologia e atuando de forma ininterrupta.

Alguns exemplos de experiências positivas (e vigiadas), que os pais podem proporcionar à criança (quando a atração pelo fogo não é exagerada):

  • Ajudar a acender o fogão (a criança precisa adquirir noção de perigo e, gradativamente, ir alcançando mais autonomia).
  • Acender velas quando for necessário (quando faltar energia elétrica ou quando se queira acender as velinhas de um bolo de aniversário, ou quando se usam velas durante um momento de oração em família).
  • Ajudar a queimar uma pequena quantidade de folhas secas (ao ar livre, naturalmente).
  • Ao invés de esconder os fósforos, orientar a criança sobre os perigos de se brincar com fogo e capacitá-la de tal forma que ela saiba o que está fazendo e sinta prazer em colaborar com os pais, através do respeito aos limites por eles estabelecidos.

Enfim, se os pais perceberem que seu filho (ou filha) está precisando de mais presença e maior compreensão, seria desejável que se repensasse o quanto ainda se pode investir na qualidade de vida dessa família. E, mais uma vez, solidificar os laços afetivos tão necessários ao equilíbrio de todos e de cada um de seus membros…

 

 

 

 

Falando de Psicologia … (28) – Quando uma criança gosta de brincar com fogo (I)

Quando uma criança gosta de brincar com fogo (I)

     Uma senhora está bastante preocupada com o filho porque este aprecia certas brincadeiras relacionadas com fogo (riscar fósforos, mexer no fogão, acender velas e queimar papéis). Ela já tentou impedi-lo de fazer isso, mostrando o lado perigoso de tais brincadeiras. Como não obteve resultado com essa medida, tentou outras, como: esconder todas as caixas de fósforos, repreender severamente a criança e aplicar castigos diversos. Nada disso adiantou.

     Ela pergunta, então: “É normal uma criança gostar tanto assim de brincar com fogo?” 

Não se trata de dizer se é “normal” ou não. Até certo ponto, é perfeitamente aceitável esse interesse pelo fogo. Em alguns casos, porém, a brincadeira com fogo é mais um sinal de que algo não vai bem com a criança. Vou mostrar essas duas possibilidades, analisando os seguintes pontos:

  1. O que leva uma criança a se interessar pelo fogo.
  2. Quando a brincadeira com fogo é sinal de problema psicológico.
  3. Como agir, no sentido de ajudar a criança e, ao mesmo tempo, diminuir a preocupação dos pais.

Já se observou que muitas crianças, no período que vai dos três aos seis anos, costumam sentir uma forte atração pelo fogo. Assim, pegam toda caixa de fósforos que encontram, não só para riscá-los, como também para atear fogo em muitos objetos. Algumas chegam a provocar verdadeiros incêndios, a partir de uma brincadeira com fósforos. Não resta a menor dúvida de que o risco de acidentes existe sempre e que os pais têm razão em se preocupar com o fato.

Mas, constatar que é comum a criança gostar de brincar com fogo, e que isso é perigoso para ela e para as outras pessoas, não é o que nos interessa aqui. O importante é procurarmos compreender o que leva uma criança a atear fogo em alguma coisa, para sabermos como agir, conforme cada situação.

             O que leva uma criança a se interessar pelo fogo?

Se considerarmos a curiosidade natural de uma criança, veremos que é perfeitamente aceitável que o fogo desperte nela o mesmo interesse que a água, a terra ou a areia, os brinquedos novos e os lugares diferentes. Uma criança geralmente aprecia essas coisas, como sabemos. Aliás, ela precisa conhecer tudo aquilo que esteja ao seu alcance. E nesse sentido, a curiosidade é um fator natural e favorável ao desenvolvimento de qualquer criança.

Além desse fator, existe um outro que também explica a atração pelo fogo. Trata-se da imitação. Ou seja, as crianças (sobretudo as mais novas) mostram uma tendência acentuada a imitar as pessoas de seu convívio. Ora, no contato diário com os adultos, uma criança comum pode ver, a todo instante, como eles se utilizam do fogo – para cozinhar, para acender cigarros (infelizmente ainda é grande o número de fumantes) ou até mesmo para acender as velinhas de um bolo de aniversário…

Como podemos esperar que seja fácil, para uma criança, privar-se de uma experiência que a faz parecer com o adulto?

Já que estamos falando em características da infância (curiosidade e tendência à imitação) não podemos nos esquecer da necessidade de chamar atenção. Essa é, também, uma característica que pode levar uma criança a se interessar pelas brincadeiras com fogo.

Mas, chamar atenção através de uma brincadeira com fogo nem sempre é algo tão natural e aceitável. É isso que veremos no próximo artigo (implicações psicológicas e maneiras de ajudar uma criança que aprecia brincadeiras com fogo).

 

 

 

Falando de Psicologia … (27) – Dificuldades com os exercícios escolares.

 Dificuldades com os exercícios escolares

Acredito que, para a grande maioria dos pais de crianças que estudam, os exercícios escolares representem uma fonte de preocupação das mais incômodas. É que muitas crianças se recusam a fazer o chamado “para casa”, a menos que os pais tomem certas providências.

As perguntas mais comuns feitas a esse respeito, são:

  • Por que certas crianças têm tanta má vontade para fazer os exercícios de casa?
  • Quando as crianças não querem estudar, devemos forçá-las a isso?
  • Devemos dar presentes a uma criança quando ela fizer, sozinha, os deveres de casa?

Analisando estas perguntas, verificamos que existe um ponto comum entre elas. Ou seja, enquanto muitos pais dão um grande valor aos exercícios escolares, seus filhos já não pensam assim.

E como essas crianças devem ser tratadas para que se interessem pelo estudo?

Vou falar, mais especificamente, do significado que exercícios escolares podem ter, de acordo com a percepção de muitas pessoas (não só pais, como também certos professores).

Nas nossas escolas, todas as crianças devem levar para fazer em casa, diariamente, alguns exercícios relativos à matéria que está sendo ensinada pela professora. A finalidade primordial dessa tarefa é facilitar a aprendizagem da criança através de um parcelamento do programa. Assim, os deveres de casa constituem a maneira mais usada para proporcionar um conhecimento gradativo e crescente de tudo aquilo que se deve aprender na escola. Encarando a questão sob esse prisma, veremos que as crianças têm muito a lucrar com a confecção dos exercícios escolares. Tudo vai depender, no entanto, da maneira pela qual os pais vêem o estudo. Através de alguns exemplos, aparentemente exagerados, tentarei mostrar que a questão dos exercícios escolares não é tão simples como pode parecer.

  1. Os exercícios ocupam todo o tempo da criança. Muitas vezes, a criança leva tanto exercício para fazer em casa, que não lhe sobra tempo para outras atividades de seu interesse, como brincar ou assistir televisão, por exemplo. Mas, pode ocorrer, também, que certos pais, ansiosos pelo bom rendimento escolar do filho, passem a encarar os exercícios como um meio pobre e insuficiente para uma aprendizagem eficaz. Eles exigem, então, que a criança estude muito mais do que deveria, ocupando todos os seus momentos de folga. Isto é, mesmo depois de terminado o “para casa”, ela não tem permissão para fazer outra coisa, a não ser estudar. A criança quase não brinca e o cansaço pode provocar uma aversão pelos estudos.
  2. Os exercícios podem trazer alegria ou tristeza para a criança, sob a forma de recompensa ou castigo. Em alguns casos, a criança já está tão acostumada a exigir presentes e excesso de atenção dos pais, que o ato de estudar passa a constituir mais um pretexto para obter vantagens. E, até mesmo os exercícios escolares perdem seu valor real para significar, apenas, mais um meio que a criança utiliza para manipular os pais. De modo análogo, os exercícios podem constituir uma fonte de preocupação para a criança, já que muitos pais castigam severamente os filhos que não estudam como eles esperavam. E, o pior de tudo, é que os castigos, quando são aplicados nestas circunstâncias, geram tensão. E a tensão prejudica demais a aprendizagem.
  3. Os exercícios fazem com que a criança se sinta sempre avaliada. Ao invés de fazer parte de um contexto tranquilo, os exercícios provocam críticas constantes, deixando a criança insegura, pois os menores erros são ampliados, principalmente quando o adulto rotula a criança de incapaz, perdendo a paciência na hora de ensinar-lhe algo. E as observações comuns da professora (“capriche na letra”, “preste mais atenção…”) representam, para certos pais, uma verdadeira sentença para a situação de seus filhos como estudantes.
  4. Os exercícios trazem outras dificuldades para a criança. Pode ocorrer que ela tenha um irmão que sobressaia nos estudos e isso seja motivo de comparações e cobranças. Há casos em que os pais revivem, na hora de ajudar os filhos, velhas angústias de seu tempo de estudantes. É evidente que a hora do “para casa” não é algo desejado pela criança. 

Outros exemplos poderiam ser lembrados, mas o importante é ressaltar que paciência, respeito, discernimento, capacidade de orientação e muito amor são atributos que todos nós precisamos cultivar, sobretudo quando o objetivo é tornar nossos filhos pessoas mais felizes e produtivas.

 

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Falando de Psicologia … (26) – Criança e religião.

  Criança e religião

A religião desempenha um papel importante na vida da maior parte das pessoas. Quase todas as crianças, numa cultura como a nossa, são influenciadas (direta ou indiretamente) por práticas, ideias e crenças religiosas, até mesmo quando não recebem instrução religiosa formal. Existem estudos mostrando que a criança é mística, contemplativa e imitativa por natureza. Através da ação imitativa ela vai construindo seu conhecimento. A ação da criança, até os seis anos, tem a sua origem na ação dos adultos com os quais convive, dependendo deles e neles se inspirando. Eles são seus pontos de referência. Assim se estabelece uma relação de confiança, admiração e imitação entre a criança e os adultos de seu relacionamento, o que se evidencia também no tocante ao desenvolvimento e à vivência da fé.

A religião significa coisas diferentes, conforme a idade da criança. Antes dos seis anos as crianças se apegam aos pais por laços de amor, admiração e dependência. Gostam de brincar de casinha fingindo-se de mãe, pai ou filho. Quando vêem um animal, querem logo saber qual é o “pai” e qual é a “mãe”. Assim, as relações de família fornecem a principal estrutura e a primeira noção de conteúdo, em sua vida.

As crianças pequenas recebem o seu conceito de Deus diretamente dos pais. Se eles O concebem de forma muito rigorosa, é assim que Ele será imaginado. Se acreditarem que Ele é bom, da mesma forma pensará o filho. As crianças assimilam que Deus gosta delas e quer que sejam boazinhas. Muitos pais falam de Deus com o intuito de reforçar a sua filosofia de moralidade e disciplina. Portanto, as ideias e imagens religiosas de uma criança são influenciadas por suas experiências da vida cotidiana. A sua concepção dos atributos de um Deus paternal será influenciada, de forma clara ou não, por sua percepção dos atributos de seus próprios pais ou de outras pessoas que desempenham papéis paternais. As experiências concretas, para as crianças mais novas, determinam quais serão suas ideias no plano religioso. Isso mostra a extensão da nossa responsabilidade no que se refere ao desenvolvimento da fé de nossos filhos.

Para ilustrar o quanto a imitação está presente na infância, vou narrar um episódio ocorrido há algum tempo. Durante um encontro de preparação para o batismo, falávamos sobre a importância da oração, na vida de cada um de nós, e de como o exemplo dos adultos é essencial para sensibilizar a criança na sua busca de Deus. Uma jovem senhora, cujo filho seria batizado na semana seguinte, contou-nos algo muito interessante. Seu filhinho, então com oito meses de idade, estava “começando a rezar”, segundo ela. Isso porque o bebê, no colo da mãe, imitava, com a boquinha, os movimentos dos lábios e os sons que ela emitia, toda vez que ficavam diante de seu oratório. Essa jovem, desde que o garotinho nasceu, tinha o costume de levá-lo diante da imagem de Nossa Senhora, e sempre rezava uma Ave Maria, pedindo proteção para o filho. Uns dois meses depois, ele começou a imitá-la de forma bem clara. E mesmo que a mãe ficasse em silêncio, ele murmurava algo, como se estivesse rezando (sempre diante do oratório). Naturalmente, esse bom exemplo da mãe foi reforçado com as devidas explicações no momento oportuno, à medida que a criança foi crescendo.

Muito se poderia dizer sobre a imitação, no processo de aprendizagem, de um modo geral. Aos poucos o indivíduo vai se firmando nas suas atitudes e sua personalidade começa a se fortalecer. Dependendo das vivências familiares, as crianças alcançarão um amadurecimento nas mais diferentes áreas, incluindo a religiosa. E sua atitude crítica mostrará até que ponto seus pais se mostram coerentes naquilo que falam e fazem. Desta experiência depende muito o futuro religioso dos filhos. Portanto, da mesma forma que é necessário se pensar na sua herança material e cultural, não se pode negligenciar seu patrimônio espiritual. Esse cuidado irá refletir no equilíbrio do indivíduo, como um todo.

 

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