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Histórias da Vovó Lolô – Memória afetiva x comida de vó.

             Memória afetiva x comida de vó

Hoje em dia fala-se muito em memória afetiva ligada à figura de uma avó super habilidosa nas artes culinárias. Em contrapartida, são muito valorizados os grandes chefs de cozinha da atualidade…

Quem me conhece sabe o quanto me interesso por culinária, em geral – desde que me entendo por gente! E foi justamente com minha avó materna (a outra avó faleceu poucos dias antes do meu nascimento, infelizmente) – que eu aprendi a fazer diferença entre uma comida bem feita, e outra feita “por obrigação”; a diferença entre um trivial apetitoso e uma comida de festa sem sabor…

A minha avó dizia que “arroz e feijão bem feitos dispensam complementos”. E quais seriam esses complementos? Carnes, massas, legumes e até mesmo as verduras da sua horta. Sabe o porquê? Ela caprichava tanto nos sabores e pontos de cozimento, que era comum nos contentarmos com o seu “arroz com feijão” sem acompanhamentos.

Minha mãe e várias tias, também, sabiam cozinhar muito bem…  Mas, isso não é privilégio só da minha família, é claro!

Do ponto de vista psicológico, a expressão “memória afetiva” pode estar relacionada a muitas outras experiências da infância, que não passam, necessariamente, pela cozinha. Tive uma tia que me levava ao cinema todo domingo de manhã e me comprava mini buquês de amor perfeito, uma das minhas flores preferidas, junto com as tulipas… Outra tia gostava de encher o carro com as crianças (os próprios filhos e os sobrinhos dela), para passear em lugares muito interessantes, ou para irmos nadar no Minas Tênis Clube.

Posso afirmar, sem exagero, que tios e tias também me deixaram “memórias afetivas” muito pontuais, de acordo com a personalidade de cada um(a).

Agradeço a Deus pelo “baú” de boas lembranças que Ele me deu de presente!!!

Histórias da vovó Lolô (ou vovó Isa) – (II) – Culinária também faz rir!!!

Culinária também faz rir!!!

Sempre gostei muito de tudo que se relaciona ao estudo do nosso idioma!

Tive ótimos professores de Português, mas um deles se tornou inesquecível pelas histórias – verídicas, segundo ele – por mais absurdas que possam parecer…

Vou chamar esse professor de Arnaldo, para preservar seu anonimato.

Pois bem! Além de dar aulas de Português, o Arnaldo se destacava na culinária. Cozinhava muito bem e adorava interagir em qualquer ambiente, com pessoas de todas as idades.

Sendo assim, o Arnaldo colecionava casos de todo tipo, mas os meus preferidos sempre tinham a ver com culinária.

 

Vamos conhecer dois, dos muitos casos que o Arnaldo contava em sala de aula e que eu registrei na minha memória…

Caso número 1 – uma adolescente, que nunca havia se interessado por culinária, foi lanchar na casa da avó, que foi logo avisando: “Roberta (nome fictício), hoje tem muita gente para lanchar. Vou precisar que você dobre a receita do pão de queijo!”

Chegou a hora do lanche e a avó foi até a cozinha. Nada de pão de queijo!

Chama a neta e pergunta o que aconteceu. A Roberta, simplesmente, responde: “Uai, vó! Eu fiz o que a senhora mandou: dobrei a receita!” E mostrou uma folha de papel dobrada, onde a receita estava escrita!!!

O Arnaldo perguntou aos alunos: isso é falta de atenção ou falta de raciocínio?

Caso número 2 – esse fato ocorreu na casa do Arnaldo, uma casa muito espaçosa, onde havia um aquário, tipo um laguinho, que fazia parte da decoração da sala de estar. Na parte externa, junto ao muro, o jardineiro havia plantado muitas mudas de uma flor chamada “Beijo” ou “Beijinho”, que precisava ser regada com frequência, para não murchar.

Ora, a esposa do Arnaldo – Dorinha – chamou uma prima que morava com eles e pediu: “Por favor, molhe os beijinhos para mim, pois estou muito ocupada, aqui na cozinha. Estou testando uma receita nova e tenho que me concentrar.”

De repente um barulho de água chamou a atenção da Dorinha e ela foi ver o que estava acontecendo. A prima estava jogando baldes e mais baldes de água no aquário, incansavelmente! E justificou: “Mas, Dorinha, você não mandou molhar os peixinhos????”

Como professor de Português muito questionador que era, o Arnaldo lança aos alunos mais um “enigma”: a culpa é do nosso idioma, que confunde muitas pessoas – ou é mais um caso de falta de atenção, misturado com falha na comunicação???

Bem, acreditei totalmente, quando o Arnaldo afirmou que tudo isso aconteceu…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Histórias da vovó Lolô (ou vovó Isa) – (1) – “Eu e as baratas…”

Eu e as baratas…

Acredita-se que a aversão por baratas seja algo típico das mulheres. Quanto a isso, nada posso afirmar.

Da minha parte, porém, posso garantir que essa aversão realmente acontece.

Por incrível que pareça, as baratas me “perseguem” kkkk!!!

Posso ilustrar isso, contando alguns episódios que aconteceram comigo e … elas!!!

  1. Barata voadora – houve uma época em que as baratas apareciam à noite, dando voos rasantes sobre nossas cabeças. A gente corria e gritava, mas a danada quase sempre aterrissava na cabeça de alguém… que quase sempre era eu!!!
  2. Barata no sapato – houve uma vez em que eu estava pronta para sair e, ao calçar o sapato, ouvi um ruído de “crec”, característico de uma barata sendo pisada! Eu era criança, mas me lembro do nojo que senti, ao ver a dita cuja presa à minha meia branca, toda amassada!
  3. Barata na pasta escolar (que correspondia às mochilas de hoje) – eu coloquei a mão dentro da pasta para pegar um caderno, quando senti algo áspero e esquisito, subindo pela minha mão! Era uma delas, é claro!
  4. Barata no papel higiênico – imagine o meu susto, quando vou pegar um pedaço de papel higiênico sentada no “trono”, e junto veio uma barata enorme, agarrada ao mesmo! Nessa hora eu gritei, de tanto susto! Kkkk
  5. Barata no copo d’água – esse episódio foi nojento demais!!! Eu devia ter uns oito anos e sentia sede durante a noite. Quase sempre levava um copo com água e, uma certa madrugada, ao tomar o primeiro gole, junto com a água veio, nada mais, nada menos, do que uma barata! Cuspi no chão e gritei tanto, que acordei a casa toda!!! Minha tia me falou, tranquilamente: “eu já te falei mais de mil vezes para tampar o copo com um pires!” Ou seja, o fato era algo esperado!
  6. Barata subindo por dentro da calça comprida! – Eu estava grávida de 8 meses, esperando a chegada da minha filha caçula. A calça que as gestantes usavam tinha um tecido – na região da barriga, todo cheio de um tipo de elástico fininho, que espichava à medida que a barriga crescia. Pois uma barata subiu pelo interior da calça e, como o elástico impedia sua escalada após a minha perna, ela parou… e eu deixei meu nojo de lado e a esmaguei, apertando-a com as mãos e me livrando da calça “contaminada”!!!
  7. Barata na panela – esse episódio talvez seja o mais nojento de todos!!! Minha família gostava muito de uma carne – lagarto com molho ferrugem. Como eu me atrasei no trabalho, meu marido resolveu almoçar sozinho, já que os filhos preferiram esperar por mim. Fui aquecer a carne e, ao olhar dentro da panela… o que eu vi, junto com o molho escuro?? Uma barata enorme, boiando!!! Providenciei omeletes para substituir a carne e, por pena, nunca contei para o meu marido…

Todos esses casos são verídicos e creio que jamais os esquecerei, pois assumo minha total aversão por baratas!!!